Desmanchando Amores

3.10.17

*conto*
Eu não consigo entender direito o que estou sentindo, meus olhos desfocam, minha mente viaja, e perco a conexão com a realidade. É como se me conectasse sem querer com o cyberspaço, como se prevesse ansiosamente o futuro e isso me inquietasse. Fico lembrando de livros que li, e me sinto uma personagem que foi deletada de Neuromancer... Aliás, por quê esse sentimento constante de estar assistindo a vida e não exatamente fazendo parte dela?! O medo, lá no fundo, é de fazer uma escolha errada. A partir do momento que escolhemos uma, todas as demais se dissolvem, ganham outros rumos... e se esta for a escolha errada?! Deveria eu escolher você?! Será que há predestinação ou escolha, afinal?! (...)

Uma tecla apertada aqui, gera um texto que vai ao ar, e um leitor do outro lado do mundo traduz todas aquelas palavras e muda sua mente. Eufórico, caminha até a geladeira, mas no meio do caminho, desvia e resolve tomar café. Derruba o café fervente em cima do teclado de seu notebook... que droga, precisará comprar outro. Do outro lado do mundo, uma fábrica chinesa já confecciona as peças que chegarão até aquele consumidor que de outra forma, não seriam suas. E se ele decidisse não comprar, e na verdade, se deslogar para sempre da internet, depois do texto que lera?! (...)

Fotografia de acervo pessoal, gosto de ir no Ibira escrever / desenhar / fotografar / ler, heuhe!
Escondida embaixo de cobertas, ela faz uma oração. Se sente solitária e quer porque quer encontrar um companheiro. Se sente triste, chora. Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade, alguém analisa seu perfil online e sem grandes motivos, clica em "seguir". Sincronicidades. Subconscientemente, ele também procura o mesmo que ela, e por este motivo, atrai para perto mais pessoas com os mesmos interesses, os mesmos padrões. Sua ex namorada da adolescência, que o abandonou em um quase-casamento, e uma namoradinha que não lhe desperta muito entusiamo, que vê quando vai a outra cidade. A conexão energética se concretizou online, como descobrir a verdade?! Retornar ao passado, escolher a mais próxima, ou arriscar?! Uma nuvem, vários tormentos, confusões de sentimentos e projeções. E se ele tivesse desistido de seguir?! (...)

Uma criança joga bola na quadra de seu prédio, sonha toda noite em ser um grande jogador de futebol. Percebe que tem muito o que superar, mas não há quem lhe dê incentivo. Família desestruturada com pai alcóolatra e mãe depressiva, mesmo assim, era bom no colégio. Percebe que há muitos melhores que ele... o que o fará ser diferente a ponto de alcançar o tão almejado sonho?! Larga a bola, e resolve ir trabalhar com qualquer outra profissão financeiramente promissora quando mais velho... mais problemas na família. E se houvesse alguém que pudesse incentivá-lo a persistir quando criança?! (...)

Era no tempo do Rei. Não na língua dos homens, norteada agora por algoritmos. Era no tempo dO Eterno. Chovia, mas justamente naquele dia em que resolveram sair para fotografar coisas aleatórias. Ela não sabe porque sentiu vontade de desviar de seu caminho. Ele saiu de casa pensando apenas em tirar algumas fotos. No cruzamento da ponte, em frente ao museu, eles se viram... espera, eu conheço aquele rosto! E quem era?! Em um universo alternativo vivemos um grande amor, de algumas horas, pelo cyberspaço. Durou o bastante quanto precisava durar para ser lembrado eternamente. (...)

Um dia comum, indo ao trabalho, ela estava brincando com sua mente, quando olha para o passageiro sentado a sua frente - o ônibus lembrava aqueles trens, com acentos dispostos um frente ao outro. Ela olha para ele, o acha bonito e pensa, de brincadeira: já pensou se esse cara aí fosse o amor da minha vida?! Riu consigo mesma. Na hora de descer em seu ponto, ele se levantou, não havia reparado nela de forma alguma. Estava com os cadarços desamarrados. Ela toca em seu braço depois de uma breve crise de "faço ou não faço / aviso não aviso", e aponta para seu pé. Ele ficou feliz, agradeceu e acrescentou: fico contente por demonstrar compaixão comigo! E a acompanha durante todo o trajeto da saída do ônibus até o shopping no qual ela deve entrar para trabalhar. A conversa era descontraída e interessante. Ele trabalhava com filmagens, ela era uma simples atendente de restaurante. Essa cena se repetiu algumas vezes. Mas no último dia, o contato fora finalizado. (...)

Você que está aí do outro lado, se pergunta se isto tudo escrito é invenção, ou vivências de quem escreve deste lado de cá. E eu lhe pergunto, o que passamos na vida, não acaba sendo um pouco da mistura dos dois?! Um pouco de projeção, com um pouco de vivências em um grande liquidificador?! Se acontece apenas em nossa mente, não acontece de verdade?
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Mais uma vez estou trabalhando em uma edição de vidjo gente!
Espero que estejam curtindo os contos!
Agradeço a Carina pelo incentivo! E ao Vicente, também!
Asta la vista, cyberfriends!

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4 comentários

  1. Ih, menina, sou eu no finalzinho do texto???? Se sim, que sensacional!

    AI QUE MARAVILHOSA que tu é! Continua escrevendo, tá lindo e faz a gente se perguntar sobre o que pode ou não ser "real' mesmo! ^^

    Beijos!

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    Respostas
    1. Claro que siiim! <3

      Fico felizona que tenha gostado, sua linda!
      Vou continuar, e variar com os outros conteudos! Beijão!

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  2. Eu tenho certeza que várias das minhas memórias estão impregnadas com fantasias. Eu fiquei confusa, porque imaginei que fosse tudo invenção, depois tudo verdade, depois uma mistura, e acho que no fim é essa última opção mesmo.

    O texto me fez refletir bastante.

    Beijinhos.
    Não Freud (sim, mais um blog, risos)

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    Respostas
    1. Hauhauha! Essa é a graça da vida, né miga?!
      Eu tô feliz que voltou a escrever! E agradeço a visita!

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Muito grata pelo contato, seja sempre bem vindo! :3
You can contact me in english too! Be welcome! ♥

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